domingo, 31 de agosto de 2008

Filosofia e Literatura (I): Comentários ao Conto "A Carteira", de Machado de Assis

Segue abaixo o conto "A Carteira", de Machado de Assis. Os números entre parênteses se referem aos meus comentários, listados em ordem ao final.

A Carteira
Machado de Assis


...DE REPENTE, Honório olhou para o chão e viu uma carteira (1). Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu (2), salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:

-- Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.

-- É verdade, concordou Honório envergonhado (3).

Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado (4). A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta coisa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.

-- Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.

-- Agora vou, mentiu o Honório.

A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, cm que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.

D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.

Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos molhados; ficou espantada, e perguntou-lhe o que era.

-- Nada, nada.

Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam com facilidade. A idéia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com, trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar, a esperar, a gastar, pedir fiado ou: emprestado, para pagar mal, e a más horas.

A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor, o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada. Ao enfiar pela Rua da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando (5).

Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes. Enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma coisa e encostou-se à parede, olhando para fora (6). Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira (7). Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo (8).

Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte; calculou uns setecentos mil-réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo (9). Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.

Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para quê? era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio. Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos... Mas por que não havia de crer neles? (10) E voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois, resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal. "Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar- me do dinheiro," pensou ele (11). Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dois cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele (12).

A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo (13). Todo o castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dois empurrões, mas ele resistiu.

"Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer." (14)

Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado e a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma coisa.

-- Nada.

-- Nada?

-- Por quê?

-- Mete a mão no bolso; não te falta nada?

-- Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou?

-- Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.

Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio (15). Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.

-- Mas conheceste-a?

-- Não; achei os teus bilhetes de visita.

Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor. (16)

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(1) "De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira". Todo o restante do conto girará em torno do conflito de Honório entre usar ou não o dinheiro que achara na carteira. Machado já enuncia, desde a primeira frase, o conflito moral em que baseará a trama. Achar a carteira de outra pessoa na rua é o que se pode chamar de conflito moral típico: de um lado, o desejo de apoderar-se do dinheiro achado; de outro lado, o dever de respeitar a propriedade alheia. Não se trata de escolher a mais correta entre duas alternativas de ação, e sim de escolher entre a alternativa claramente correta, que nega o desejo, e a alternativa claramente incorreta, que o satisfaz.

(2) "Ninguém o viu", informa o narrador. Recorda a lenda do Anel de Giges: Giges, pastor grego honesto, encontra um anel mágico, capaz de torná-lo invisível, depois do que perde seus escrúpulos e limites, comete todo tipo de atrocidade, torna-se o pior de todos os crápulas. Moral da história: O controle moral que os homens exercem sobre si se deve antes à prudência que à honestidade, de modo que, se um homem pudesse violar as regras morais sem jamais ser descoberto, certamente o faria. Honório não tem anel mágico, mas, se não está invisível fisicamente, o está socialmente, porque ninguém o viu pegar a carteira, ou pelo menos ninguém que soubesse que ela não lhe pertencia, ninguém que pudesse lançar sobre ele o olhar inquisidor, crítico, controlador, da sociedade. Isso anuncia que se trata apenas de um conflito entre Honório e Honório: se fraquejar e ficar com o dinheiro, ninguém saberá, ninguém o condenará, ninguém sequer o recordará disso no futuro. Essa circunstância, por tornar a falta moral mais fácil, torna o conflito ainda mais escruciante.

(3) "Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez", disse-lhe a única testemunha da ocasião, ao que Honório responde envergonhado: "É verdade". Em vez de ser o olhar crítico capaz de despertar seus escrúpulos, o homem à porta da loja, pensando ver o dono de uma carteira perdida a encontrar de novo, faz um comentário que situa Honório numa posição bastante confortável para cometer o erro moral. Bastava assumir-se, perante aquela única testemunha, como o verdadeiro dono da carteira. As circunstâncias do conto, doravante, empurrarão Honório sempre mais para o erro, conspirarão para o seu pecado. Ao mesmo tempo, Honório se vê lançado, antes do que esperava, a um momento de escolha moral: Dizer a verdade ao homem, mentir-lhe ou não dizer nada? Quando parecia que Honório só teria que fazer sua escolha depois, à caminho de algum lugar, quando teria que decidir o que fazer da carteira, vê-se de repente precipitado a uma escolha moral prematura. Como vimos, escolheu mentir, cometeu sua primeira falta, menos grave, como elemento preparatório da outra, mais grave, que ainda não decidira cometer, mas para a qual, como se vê, já se inclinava.

(4) "Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado", comenta o narrador. Ora, se Honório estivesse esbanjando riqueza e a carteira estivesse cheia de dinheiro ou se Honório estivesse necessitado, mas a carteira estivesse vazia, a decisão de deixá-la no chão, de levá-la às autoridades ou de tentar devolvê-la ao dono ainda seria moralmente correta, mas não teria mérito, porque não teria nenhuma dificuldade nem demandaria nenhum esforço ou sacrifício. É a conjugação da necessidade e da oportunidade que instauram no coração de Honório o conflito moral. Já não se trata apenas do desejo por dinheiro, argumento mais fraco e adversário mais leve de abater, mas trata-se, sim, de necessidade, grande e urgente, que, a depender do conteúdo que recheasse a carteira encontrada, poderia ser aliviada ou mesmo resolvida de vez.

(5) Agora sabemos que Honório é advogado, que enfrenta necessidades, acumula dívidas, mas vive de empréstimos e de aparências. Não é casual que exerça a advocacia, profissão com fama associada à mentira e à desonestidade. Esse fato por si, espcialmente num conto machadiano, adiciona suspeitas sobre seu caráter. Mas agora, ao lado da ganância e da necessidade, se coloca outro campeão dos vícios humanos: o orgulho. Honório recusa confessar-se em dificuldades, mesmo para o amigo e a esposa. Para alguém cioso da própria imagem, temeroso de que alguém descubra seus apertos financeiros, ofendido do olhar e do tom de voz dos credores, uma dívida vincenda é coisa ainda mais dolorosa e preocupante. Nesse contexto, a carteira achada se torna uma oportunidade ainda mais irrecusável.

(6) "Enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma coisa e encostou-se à parede, olhando para fora". Nota-se a presença da confusão e da dúvida. Apesar da necessidade que sofre e da oportunidade que se lhe apresenta, Honório mantém escrúpulos morais que o lançam em estado de desordem mental, com uma multidão de pensamentos e sentimentos contraditórios que o perturbam. Trava-se uma luta entre razão e desejo.

(7) "Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira". Aqui se marca a oposição com verbos distintos: a consciência lhe "dizia", os apuros "puxavam" por ele. Os verbos refletem a oposição entre saber e desejo, entre conhecimento e inclinação. Se a consciência - a voz que, dentro da alma, representa aqui a parte da personalidade que introjetou as regras morais - lhe diz que não deve, que é errado, é que tem perfeita noção de qual a alternativa que deveria ser tomada e qual deveria ser rejeitada. Contudo, os apuros puxam por ele, ou melhor, a representação mental dos apuros presentes e a representação mental da possibilidade futura de dar fim a eles, esse misto de percepção e antecipação, de conhecimento e imaginação que sempre está presente nos desejos, especialmente nos mais intensos e elaborados.

(8) "Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo". O sujeito do verbo "chegavam" ainda são os apuros, como metonínima da inclinação. Aqui o teste da reciprocidade, famosa ferramenta de orientação moral, ganha uma versão distorcida. A pergunta: "E se fosse comigo?", que normalmente serve para guiar que façamos aos outros apenas o que quereríamos que fizessem a nós (a chamada Regra de Ouro), aqui se converte no pensamento sombrio de que façamos aos outros apenas aquilo que, de fato, os outros fariam por nós. Esse é um artifício para que a maldade alheia escuse a nossa própria, um argumento de que, se fazemos aos outros apenas a mesma maldade que os outros fariam a nós, essa maldade é, por algum motivo, menor ou mais justificada. Não é. Fazermos ao outro o que o outro faria a nós é, sim, reciprocidade, mas reciprocidade de fato, não de direito ou, noutras palavras, reciprocidade de conduta, mas não reciprocidade moral. A reciprocidade que deve guiar a conduta é a reciprocidade moral, e esta consiste em fazermos aos outros apenas aquilo que gostaríamos que eles fizessem a nós, sendo aqui o "gostaríamos" uma forma de elevar-se da conduta fática (no campo do ser) do outro para a conduta desejada (no campo do dever-ser) do outro, esta, sim, o parâmetro com que devemos medir a nossa.

(9) "Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinqüenta e vinte; calculou uns setecentos mil-réis ou mais; quando menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes. Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo". Depois de endossar a falsa crença do estranho na rua de que apanhava sua própria carteira perdida, aqui Honório dá um segundo passo em direção ao erro. Conferiu se tinha dinheiro e quanto dinheiro era. Quem estivesse convicto de entregar a carteira de volta, teria interesse de procurar por um nome, um endereço, uma referência. Mas não por contar as notas. Quem conta as notas quer saber se o erro, que pensa em cometer, valeria mesmo a pena. Avalia as possibilidade, calcula entre vantagens e desvantagens. Neutraliza por um momento seu senso moral, para só retomá-lo em seguida, quando voltasse ao seu conflito moral, agora já ciente da extensão dos benefícios seu erro lhe poderia proporcionar.

(10) "Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos... Mas por que não havia de crer neles?". Passa-lhe pela cabeça que talvez a fortuna, talvez os anjos o tenham favorecido com aquela oportunidade. Se fosse a Fortuna, Deusa pagã, que girava sua roda mística e fazia com que os afortunados se tornassem desgraçados e vice-versa, de uma hora para outra, por seu simples capricho, poderia ser verdade. Afinal, teria de repente tirado aquele dinheiro de um e dado a outro a oportunidade de encontrá-lo, fazendo da perda de um o alívio do outro. Mas a Fortuna pagã é caprichosa e, por isso mesmo, irracional e injusta. Não prejudica os maus e favorece os bons, mas ora prejudica, ora favorece tanto maus quanto bons, indiferentemente, sem outro critério que não o simples arbítrio. Sendo assim, ser por ela favorecida não significa merecer o favor, de modo que aceitá-lo como favor da Fortuna não o reveste de nenhum sentido moral. Se forem, não a Fortuna, mas os anjos, não seriam certamente os anjos divinos e bondosos, pois teriam feito a felicidade de um a partir do prejuízo do outro. Anjos assim careceriam de sentido moral, e a imoralidade dos anjos não é menos imoralidade que qualquer outra. Um favorecimento imoral da parte dos anjos segue sendo imoral a despeito de sua fonte. Em ambos os casos, Honório, dividido entre dever e desejo, procura no reino do acaso a justificativa para um ato que o reino da razão já condenou.

(Atualizada em 2.9.2008, às 10:47. Renovarei essa postagem em breve, com outros prometidos comentários)

7 comentários:

Débora Aymoré disse...

André, muito bom esse conto. Aguardarei os comentários que você prometeu.

André Coelho disse...

Débora, que bom que gostou. Estou preparando os comentários.

André Coelho disse...

Agora com comentários de (1) a (10). Só faltam 6.

hellboy disse...

Professor andré, sou seu aluno da Fcat, turma 1BDIN2, noturno, muito bom esse conto, e me foi esclarecedor, pois em sua aula de hoje foi tratado justamente de Moral... um grande abraço professor! e parabéns!
ass: Wellyngton sousa

Marcela Bouth disse...

Muito bom o texto e a análise, como sempre, esclarecedora. Aguardo os comentários restantes (:

Frederico Guerreiro disse...

Pelo menos ela ia ajudar a colocar a mesa... O dinheiro na carteira faria jus a um pagamento. Manso, manso...

Não me joguem pedras. Fantástico! A moral depende das circunstâncias.

vanuza disse...

adorei o conto ......mas queria saber msm o seu enredo!!!!
teria como me dizer??