sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Por que o Ateísmo? (1)

Em relação à crença em Deus, concebem-se tradicionalmente três posições possíveis: 1) a do crente, que afirma a existência de Deus; 2) a do agnóstico, que nem afirma nem nega a existência de Deus; 3) a do ateu, que nega a existência de Deus. Vejamos cada uma delas.

1) O crente. A primeira das três posições é acreditar que Deus existe. Há basicamente três tipos de crente: 1.1) aquele que tem uma crença doutrinária e sólida, ou seja, que recebeu formação no seio de alguma religião estabelecida, assimilou bem suas doutrinas e acredita na verdade dessas doutrinas, sendo capaz de fundamentar suas posições religiosas com base nas verdades doutrinárias e estando disposto a viver em conformidade com elas; 1.2) aquele que tem uma crença doutrinária e vaga, ou seja, que se considera afiliado a alguma religião estabelecido, mas tem apenas um vago e frágil conhecimento das verdades doutrinárias dessa religião e persiste em sua crença mais por hábito que por convicção, recorrendo a Deus em momentos de forte culpa ou necessidade; 1.3) aquele que tem uma crença não doutrinária ou pessoal, ou seja, aquele que diz "não tenho religião, mas tenho religiosidade", que tem sua própria concepção do que é Deus (uma luz, uma energia, uma força, um sentimento interior, a prórpia natureza, o próprio universo etc.) e acredita nela à sua maneira. Em qualquer discussão séria, os crentes dos dois últimos tipos devem ser desconsiderados. Por isso, considerarei, para fins de discussão, apenas o crente do primeiro tipo, o que tem uma crença doutrinária e sólida.

2) O agnóstico. A segunda das três posições é não tomar partido na discussão sobre a existência ou inexistência de Deus, ficar numa posição intermediária, dizendo "não há provas definitivas de que sim, nem provas definitivas de que não". Essa parece ser, à primeira vista, a posição mais razoável para um não crente, porque de fato não é possível dar nenhuma prova conclusiva da não existência de Deus. Porém, rejeito o agnosticismo, por um motivo que direi mais abaixo.

3) O ateu. A terceira e última das três posições é negar a existência de Deus. Não conta como ateu quem apenas nega a existência do Deus cristão tal como apresentado pelas religiões estabelecidas, mas guarda uma convicção íntima numa força ou entidade qualquer que tenha criado ou dirija o universo - quem acredita nisso não é ateu, e sim o terceiro tipo de crente. Para ser ateu, é preciso crer que não existe nem Deus nem nenhum substituto pessoal ou new age para ele. Essa é a minha posição pessoal. Vou esclarecer por quê.

Vamos começar com a pergunta mais natural nesse contexto: Que razão há para acreditar que Deus existe? Isso nos conduz às chamadas "provas da existência de Deus". Tradicionalmente, essas provas são quatro: a prova ontológica, a prova causal, a prova cosmológica e a prova moral.

a) Prova ontológica . Consiste no seguinte: "Todos podemos formar a idéia de um ser que seja perfeito. Ora, um ser perfeito não seria perfeito se lhe faltasse a existência. Logo, se o ser é perfeito, não lhe falta a existência. Logo, o ser perfeito existe". Bom, em primeiro lugar, mesmo que esse argumento fosse válido, provaria apenas a existência de um ser perfeito, e não de Deus. "Ora, mas Deus é perfeito!", você diria. Sim, mas Deus não é o único ser perfeito concebível. É possível conceber um rio perfeito, um carro perfeito, um cachorro perfeito etc. Por isso, provar que existe um ser perfeito não é provar que existe Deus. Em segundo lugar, o argumento prova apenas que, se existisse um ser perfeito, então esse ser teria que existir, o que é óbvio. Não prova que esse ser de fato existe. Se não, poderia raciocionar assim: "Um rio (ou um carro, ou um cachorro etc.) perfeito não seria perfeito se lhe faltasse a existência; logo, um rio (ou um carro, ou um cachorro etc.) perfeito existe", o que é claramente falso, porque tais coisas não existem. A prova ontológica não prova coisa alguma.

b) Prova causal. Provavelmente, a mais popular de todas. É algo assim: "Tudo que existe tem uma causa; se existe o mundo, então o mundo tem uma causa; essa causa tem que ser algo que seja exterior e anterior ao mundo; esse algo é Deus". Ou pode tomar a forma regressiva: "Tudo que existe, tem uma causa, que por sua vez tem outra causa, e assim sucessivamente, até que se chegue a uma causa que não tem causa, que é Deus". Há problemas sérios com esse raciocínio. O primeiro problema é que, tal como, lá em cima, provar que existe um ser perfeito não é o mesmo que provar que existe Deus, da mesma maneira, agora, provar que existe uma causa primeira não é provar que existe Deus. Essa causa primeira poderia ser qualquer outra coisa. Em segundo lugar, esse argumento contém uma contradição teológica, pois, se estivesse certo, tornaria Deus a causa de todas as coisas, inclusive o bem e o mal, de modo que não haveria razão para recompensar quem faz o bem, pois a causa desse bem seria Deus, nem haveria razão para punir quem faz o mal, pois a causa desse mal seria Deus. Para que possa existir livre-arbítrio e responsabilidade, é preciso que nem todas as coisas sejam causadas por Deus. Em terceiro lugar, a premissa do argumento, que diz: "Tudo que existe tem uma causa", não é uma verdade evidente, é apenas uma constatação cotidiana em relação às coisas com as quais temos experiência no mundo. Sendo assim, a idéia seria "Tudo que existe no mundo tem uma causa no mundo". A idéia não pode ser estendida para falar de uma suposta causa do mundo. O que garante que o mundo tem uma causa? O que nos leva a acreditar nisso é apenas a idéia de que algo não ter uma causa é inconcebível, idéia que só temos porque todas as coisas no mundo têm uma causa. Nada nos autoriza a raciocionar sobre o mundo como se ele fosse uma das coisas no mundo.

c) Prova cosmológica. É algo assim: "O mundo é uma ordem; uma ordem não pode surgir do acaso; uma ordem só existe na medida em que existe uma inteligência que a organiza; logo, existe uma inteligência que organiza o mundo; essa inteligência é Deus". Novamente: em primeiro lugar, provar que existe uma inteligência ordenadora do mundo não é mesmo que provar que existe Deus. Em segundo lugar, não é verdade que toda ordem pressupõe uma inteligência organizadora. A seleção natural em biologia e as ligações atômicas em química são bons exemplos de como configurações ordenadas podem surgir sem a intervenção direta de nenhuma inteligência ou plano prévio. Assim, fica comprometida a premissa de que "uma ordem só existe na medida em que existe uma inteligência que a organiza". Quanto a uma ordem não poder surir do acaso, é verdade, mas isso não prova nada a favor da inteligência ordenadora, porque "acaso" e "inteligência ordenadora" não são as duas únicas opções possíveis. Há uma terceira opção: leis naturais, impessoais e sem propósito definido, que podem estruturar organizações perfeitamente ordenadas sem que nenhuma pessoa esteja dirigindo o processo o tempo todo.

d) Prova moral. É a última e mais fraca das provas. Pode assumir várias formas, com a característica comum de que todas elas dizem que Deus tem que existir, porque, se não existisse, as coisas seriam ruins em algum sentido. Pode ser assim: "Se não existir Deus, não haveria o certo e o errado", "Se não existir Deus, a vida não teria sentido", "Se não existir Deus, não há uma boa razão para viver", "Se não existir Deus, só existe o acaso". Bom, esse argumento é mesmo muito ruim, então não há muito o que comentar. Em primeiro lugar, o fato de que, se certa coisa não existir, as coisas serão piores não é uma prova de que essa coisa existe. Mesmo que fosse verdade que, sem Deus, não haveria certo e errado, a vida não teria sentido, não haveria razão para viver, só existiria o caso etc., nada disso provaria que ele existe. Mostraria apenas que a não existência de Deus acarretaria conseqüências indedejáveis. Em segundo lugar, é perfeitamente possível encontrar um referencial laico de certo e errado (como o respeito pelos direitos uns dos outros), um sentido laico para a vida (como o aperfeiçoamento da humanidade), uma razão laica para viver (como a felicidade, a sabedoria, o amor), uma negação laica do acaso (como a exitência de leis naturais).

Assim, nenhuma dessas supostas provas conseque provar coisa alguma sobre a existência de Deus. Mas tampouco o fracasso dessas provas chega a demonstrar que Deus não existe. Numa próxima postagem, mostro chego desse ponto ao ateísmo.

7 comentários:

Frederico Guerreiro disse...

Parabéns pela postagem, meu amigo!
Quero apenas fazer uma ressalva. Penso que o agnosticismo não discute sobre a prova da existência ou inexistência de Deus (deverias colocar janelinha pop-up para teus leitores poderem contra-argumentar - lendo o texto fica mais fácil).
A tal "doutrina", a agnóstica, pelo que sei, aceita que existe um Deus. Mas, por ser ele uma criação humana e por não poder se lhe atribuir fenômenos ainda inexplicáveis ou mal explicáveis, e por não haver qualquer comprovação científica de sua existência, não se lhe admite qualquer manifestação que interfira na vida dos homens ou das leis naturais. Então, Deus não existe para os fenômenos da natureza, atribui-se-lhe, errôneamente, apenas aquela "força" que reúne o universo e concede a ordem da existência. Sendo assim, se nega a religião, é incoerente, trata-se de uma postulação filosófica de argumentos sem credibilidade, falhos, tal como o segundo e o terceiro tipos citados.
O ateu não. Este nega a existência porque há na natureza das coisas o inexplicálvel, pois se para tudo houvesse uma explicação lógica, racional, científica ou matemática, o homem perderia seu estímulo para a evolução natural de sua raça, ater-se-ia aos desígnios divinos. Ou seja, Deus não existe, posição que explicaei melhor em outro momento, quando terminar um trabalho sobre o assunto.
Portanto, penso que o agnosticismo não sabe o que quer, é um indeciso ainda. Não é ele mais que um estágio que se passa para se chegar ao ateísmo. É um degrau na escada para se vencer o próprio preconceito e medo de assumir uma posição contra a religião, assunto ainda tabu em nossa sociedade impregnada de crendices e cristianismo, religiosodade, lendas, mitos, folclore, e por aí vai. Já passei por ele.
Sem poder coversar mais no momento, deixo-lhe um forte abraço.

Mateus dos Santos Pádua disse...

Você nunca leu Sto Tomás de Aquino, Sto Agostinho, Santo Anselmo para compreender a prova ontológica da existência de Deus, que você, por sua conta, reduziu a um argumento bobo, como se a prova mesma se reduzisse a isso.
Você deveria parar de escrever sobre o que não sabe. Procure pela prova de Santo Anselmo, que já será suficiente para você ficar pensando no assunto uns bons anos.
Seu blog é muito ruim; sua explicação sobre a petição de princípio, por exemplo, é pífia, pois você diz que a existência pode até ser um atributo da perfeição, e depois você inverte tudo, colocando, nos últimos exemplos, a perfeição como atributo da existência, com a maior cara-de-pau do mundo.
Por fim, como é que um blog ateu que propõe textos de filosofia contemporânea tem em seu cabeçalho o título "Filósofo Grego"?
Você já leu Platão? Aristóteles?
Você sabia que eles não eram ateus e muito menos são contemporâneos?
Ora, faça-me o favor!

André Coelho disse...

Caro Mateus, em primeiro lugar, obrigado pela visita e por deixar um comentário. Quanto às críticas que você fez ao blog em geral e à postagem em especial, gostaria que você não me deixasse no enorme estado de ignorância em que no momento me encontro porque, embora já tendo lido um bom número de obras dos e sobre os autores que você mencionou, não fui capaz de entender exatamente a que você se referia. Peço, especialmente, que me diga qual seria, na sua opinião, que suponho ser mais abalizada que a minha, uma versão mais aceitável do argumento ontológico e como essa versão escaparia da crítica de ser uma petição de princípio e de supor a existência como atributo de perfeição. Peço também que, por favor, me diga o que, na sua opinião, seria uma definição mais bem elaborada do que é uma petição de princípio, a qual servirá para o engrandecimento de meu aprendizado pessoal. Espero contar com sua visita de outras vezes no futuro, apesar da baixa qualidade do blog, que você fez questão de anunciar tão claramente. Abraço!

Hobbes,Baruch,Nietzsche,Kant... disse...

Foi sempre mais fácil notar a forte afronta de nossos adversários.
Refiro-me aos convictos. Estes fanáticos parciais ao extremo. Não se chega a uma síntese de justiça natural das coisas, sem sermos sensatos, imparciais, principalmente este requisito.
A lógica eu calculo, a lógica está ao meu alcance, ela está em mim, em ti, em tudo que é concreto, imaginário, com exceção das imaginações débeis e fictícias de um número considerável de autores fúteis, contaminando a mente e chamando "cultura" da humanidade.
Longe disso! Inclinemos nossa cabeça, aumentemos o nosso ângulo visual, e veremos: não há porque ser pascalino, ou seja, crer para não ter nada a perder.
Digo, pois, ainda, que, se existir, nada perderei. Ora, eu busco sabedoria, iria eu para o inferno?
Como disse o Frederico, principalmente para aqueles que nasceram em lar teológico de forte convicção, ele não irá sair da teologia e cair direto no ateísmo.
Ser ateu não é ser anti-cristo. Ser ateu não é não crer em um ser onipotente, onipresente e oniciente.
O que criaram foi apenas uma palavra para diferenciar o crente do não-crente. Ora, eu não creio em Deus, nem por isso eu sou ateu.
Esta palavra era tida como objetivo de ser repugnada para quem quer que a dissesse ser tal, fosse tido como inimigo do Todo Poderoso. Mas esta maligna tentativa de manipular a razão humana está sendo derrotada pela lógica.

Vocês acham que, a todo instante, a toda hora, a todo momento filosofando, o vazio aterrorizante não me agonia?
Pensam que eu não gostaria que realmente houvesse um céu onde eu viveria lá eternamente, desfrutando eternamente da alegria?
Mas hoje eu sei, e, imparcial que sou, busco respostas para me auto-contradizer. Mas não encontro razões lógicas para contrariar sobre o que sei: a tal alma pregada pelos teólogos, espíritas, etc., é o nosso próprio corpo, a nossa consolação.

Pascal disse que o pior mal entre todos os males é a comédia. Eu digo que foi o mito, há muito tempo atrás.

Se sou absolutamente possuído pelo senso de justiça natural e lógico do cosmos, só me resta confessar: não há dor pior que lutar contra o sistema.

Se confesso aqui que, toda noite choro angustiado, se não durmo algumas noites filosofando, tanto sobre uma existência divina quanto uma inovação no sistema social da humanidade, é sinal daquilo que escolhi: buscar respostas.

Ouço, Ennio Morricone, aquelas mais agoniantes de suas obras, entre outras trilhas.

Sou alheio às opiniões sociais.

Sou aquele que quer o bem daqueles que me têm como diabólico.

Assim, será sempre difícil. Era para Zoroastro, foi Diógenes, para Nietzsche e está sendo para mim.

Agora é algo pior. Agora é manipulação mental. Na revolução francesa, a burguesia chamou o povo ao seu lado, mas o povo sabia qual seria o seu papel: lutar para ter a sua liberdade.

Hoje, a aristocracia chamou o povo ao seu lado, mas não os querem lá. Hoje, escravidão mental.
Se eu digo "jogue a sua televisão no lixo e compre um livro", eu estou sujeito a ser ignorado, rejeitado, e é por isso que não tenho amigos. A verdade não se pode dizer porque ela não quer ser ouvida.
Os manipuladores conseguiram e desenvolvem maneiras de escravizar, sem que o povo saiba.

Isso é triste. Claro, não há meios sem que haja derramamento de sangue daqueles que contribuem para com a decadência da humanidade, lutando apenas pelo seu bem estar e de um pequeno grupo, débeis, considerados "inteligentes" por conta de sua acumulação de bens.
Eu gostaria ter, já que amigos da sociedade é impossível, porque ora, quem tem anseio por respostas sabe o que digo: não perdemos tempo com fofocas, nem observar carros que passam nas ruas, motos, roupas, modelos, futilidades. Meu objetivo é dialogar. Mas não conheço, perto de mim, filósofos quem amam a humanidade e a ciência que possam se juntar a mim para, através de nossas análises emppíricas, aliada à conhecimentos a priori, formarmos sínteses através da dialética.

Eu também sou atleta. Subo e desço ladeiras, todos os dias corro 10km, porque sei o que é bom pra mim.

E também sou enxadrista.

Quem sabe um dia eu encontre pessoas ao meu lado que me conpreendam.

O blog é raro. Comuns são blogs de futilidades. Isto, é raro.

Anônimo disse...

É perfeitamente racional o que escreveste.Tudo isso pq parte de elementos da realidade a que tem acesso; se por um segundo admitir que possa haver uma outra realidade que tua razão não consiga ter acesso,por acaso dentro dessa perspectiva não poderia haver uma POSSIBILIDADE de Deus? E vc talvez me responderia: ora, mas ao julgar esse conceito de Deus estaria levando em consideração a forma como ele é concebido em minha realidade.
Ok! Td bem, talvez o problema da existência ou não de Deus esteja na forma como ele sempre nos foi apresentado.
Então pelo fato de não se ter certeza de existir uma algo que foge a nossa realidade ou razão, bem como saber se os conceitos sobre esses ente superior são corretos dificultam sua total negação.

André Coelho disse...

Caro Anônimo, isso tem que ver com a minha posição contra o agnosticismo. De fato, como não é possível provar, de uma vez por todas, que Deus não existe, a posição mais razoável, do ponto de vista da crença, é a do agnóstico: nem acreditar, nem deixar de acreditar, apenas afirmar que não tem nenhuma certeza a respeito. Contudo, do ponto de vista da ação, não é possível ser agnóstico. Só é possível levar ou uma vida tendo em conta a existência de Deus, ou uma vida tendo em conta a não existência de Deus. Todo indivíduo que leva esse último tipo de vida é ateu: um ateu prático, mesmo que frequente a igreja, mesmo que se diga crente ou agnóstico. Por isso, não nego a possibilidade da existência de Deus; apenas faço uma escolha, em vista da ausência de provas absolutas para um lado ou para outro, e minha escolha é viver sem Deus, sem assumir que exista alguma entidade absoluta que vigia minhas ações e condiciona meu destino.

Frederico Guerreiro disse...

Na posição do anônimo está implícita a pregação de um convertido em definitivo, com trânsito em julgado.
Contudo, se perdirmos-lhe uma explicação lógica para a bíblia, converterá os créditos a algum teórico da teologia, essa pseudociência assemelhada à numerologia, "tarômancia", "cartomancia", "buziomancia", "adivinhomancia" e tantas outras "imbecilmancias" elaboradas com o único fim de auferir o lucro político e econômico necessários para exercício do controle das mentalidades, escravizando-as nas profundezas das trevas da ignorância. Assim se mantêm fracos os fracos.
Inseguros, escondem-se no anonimato por temerem a crítica, a posição contrária, em função da fragilidade de seus argumentos, ao mesmo tempo em que proferem seus surtos verborrágicos impregnados de autoritarismo, tal qual puritanos entendem suas interpretações impossíveis de serem contestadas, eis que a razão lhes coroa com a inteligência superior.
Para esses, o aborto está no mesmo nível do estupro, podendo ser excomungados todos os que forem contra a pregação apaixonada, ideológica, que perdoa o criminoso mas condena o "resto". E tudo mais é "resto".
Tais caracteríscas, em tese, causadas por excesso de mimos na infância, geralmente levam ao sofrimento de não ser capaz de conciliar, e partir para a agressão ao supostamente se achar contrariado.
Para esse, o mundo deveria estar ainda onde esteve há quinhentos anos, sob o julgo da presidência de Martinho Lutero, e seu vice João Calvino. Bom para a humanidade que não seja assim, tão estagnada.