segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Honneth: Esboço de uma Moral do Reconhecimento

Acabei agora de ler o texto "Entre Aristóteles e Kant. Esboço de uma moral do reconhecimento". Segundo a minha leitura inicial (que pode, é claro, vir a ser modificada a partir do debate em sala de aula sobre o texto), o argumento de Honneth (nos itens 3 a 5, onde ele é de fato propositivo) passa pelos seguintes passos:

a) podemos esboçar uma moral conectada com a ideia de reconhecimento partindo das vulnerações morais;

b) podemos classificar as vulnerações morais a partir do tipo de relação prática consigo mesmo a que elas causam dano;

c) para isso, temos que apelar a teorias que nos informem quais são os níveis de relação prática consigo mesmo que o indivíduo desenvolve, no caso, as teorias filosóficas da pessoa e as teorias psicológicas do desenvolvimento infantil;

d) a partir de tais teorias, chega-se a três níveis de relação prática consigo mesmo, a saber, o nível da autoconfiança, o nível do autorrespeito e o nível da autoestima;

e) logo, podemos classificar as vulnerações morais de acordo com se causam dano à autoconfiança, ao autorrespeito ou à autoestima;

f) porém, se as vulnerações morais só são possíveis porque somos seres carentes de reconhecimento, então, a cada tipo de vulneração deve corresponder um tipo de reconhecimento;

g) logo, podemos classificar os tipos de reconhecimento em três níveis: o nível da assistência ou do amor, o nível do respeito moral e o nível da solidariedade ou lealdade;

h) agora, estas formas de reconhecimento integram um novo sentido do ponto de vista moral, isto é, as atitudes necessárias para proteger a formação de nossa identidade, sendo esta proteção a função antropológica da moral;

i) tais atitudes ou deveres também se classificam em três tipos, a saber, deveres (simétricos ou assimétricos) de assistência emocional (para aqueles com que temos relações de afeto), deveres de tratamento igual universal (para com todos igualmente) e deveres recíprocos de participação solidária (para com os membros de uma mesma comunidade concreta);

j) estes três níveis (que são ao mesmo tempo níveis de relação prática consigo mesmo, níveis de vulneração moral, níveis de reconhecimento e níveis de deveres morais) mantêm entre si relações tensas e para cujos eventuais conflitos não existe critério ou hierarquia prévia de solução;

k) uma moral esboçada desta forma se conecta com as condições de bem-estar e felicidade (atendendo à objeção aristotélica contra a moral kantiana), mas ao mesmo tempo não abre mão da justificação dos deveres com base em razões que sejam generalizáveis (atendendo à objeção kantiana contra o consequencialismo);

l) finalmente, ela consegue dar lugar para, além da tradição kantiana, também a ética do cuidado e a ética comunitarista, cada uma relacionada a um respectivo nível de reconhecimento.

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