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Entendendo os Protestos no Brasil: Oito Interpretações

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Conforme prometido, eis a postagem para tentarmos entender a onda de protestos no Brasil em conexão com a cadeia internacional de protestos e manifestos semelhantes. Ontem disse que tentaria ir além das análises da imprensa, mas a imprensa tem sido tão superficial na cobertura do fenômeno que elevar-se um nível acima do que ela vem fazendo não chega a ser um carimbo de legitimidade. Vou tentar escrever esta postagem para ser entendida por qualquer pessoa inteligente e bem informada, independentemente do conhecimento prévio que tenha dos autores e teorias citadas ao longo do texto. Para isto, partirei dos fatos conhecidos e tentarei, por degraus sucessivos, chegar cada vez mais longe. Tomarei como degraus as formas que se sucederam de compreender o fenômeno. Vamos ver se me saio bem nesta tarefa ambiciosa. Como se sabe, os protestos no Brasil tiveram início na cidade de São Paulo em reação, em primeiro lugar, ao aumento da tarifa de ônibus municipal do preço anterior de R$3,00 para...

DEVEMOS MESMO INVESTIR MAIS NOS ESPORTES?

Do ponto de vista político, as Olimpíadas modernas estão fortemente ligadas ao momento do auge dos Estados-nacionais. Elas foram sistematicamente exploradas pelos governos estaduais para fazer propaganda nacionalista a respeito da superioridade de uma raça, de um povo, de uma tradição ou de um regime sobre os demais. (Nisso se assemelha ao que aconteceu com a corrida aero-espacial e com as artes de massa, sobretudo o cinema.) Especialmente nos tempos da Guerra Fria, eram uma oportunidade quatrienial de comparação entre o êxito das políticas esportivas e o volume de nacionalismo produzidos pelos regimes capitalista e socialista, bem como entre a hegemonia da Velha Europa e as forças emergentes de EUA, URSS, China e Cuba. Isso justificava os elevados investimentos em estrutura esportiva para gerar atletas e grupos vencedores. Não à toa, na cerimônia de entrega das medalhas, o atleta ou grupo premiados vestem os uniformes com as cores de seus Estados de origem ou de adoção e ouvem a...

TRANSMISSÃO DAS OLÍMPIADAS PELA REDE RECORD: ENTRE COMEMORAÇÕES, RECLAMAÇÕES E INDIFERENÇAS

Vamos partir de de três fatos incontestáveis: (1) No Brasil, existe um oligopólio da comunicação de TV: Na TV aberta, podemos contar nos dedos das mãos as emissoras que existem, apontar quem são seus donos e quais são seus padrões de programação e de cobertura jornalística. Longe de ser local e pulverizada, a comunicação de TV é predominantemente nacional e concentrada; (2) Dentre estes grandes grupos da TV, a Globo conta com poder econômico e político inigualavelmente maior, sendo a emissora mais assistida em praticamente todos os dias e horários, ditando, com sua programação e cobertura, o padrão com que o público se acostumou a assistir TV no Brasil; e (3) Na última década, o volume de investimento das emissoras concorrentes da Globo têm crescido consideravelmente, ao mesmo tempo em que os antigos orçamentos estratosféricos daquela emissora nos anos 70 e 80 têm dado lugar, nos anos 90 e 2000, a versões mais modestas e supervisadas. É isso que permite a migração de jornalistas...

A Propósito do 7 de Setembro e do Fim do Nacionalismo

Não costumo ter a iniciativa de escrever sobre essas datas cívicas no Blog. Em primeiro lugar, porque é um blog de filosofia e, a menos que eu tenha alguma perspectiva filosófica a oferecer sobre o assunto, festas da nação não cabem na pauta de coisas que os leitores esperam ver por aqui. Em segundo lugar, porque é difícil abordar o assunto sem ser meio clichê: “Independência de quê, se continuamos dependendo do conhecimento, da tecnologia e do investimento externo e somos capachos dos EUA e da União Europeia?”, “Comemorar o quê, se vivemos num país de políticos corruptos e povo ignorante?”, “Essas paradas militares são apenas a celebração hipócrita de um nacionalismo que nunca tivemos, porque nossa mentalidade sempre foi e continua sendo colonial”, “Enchemos as ruas de militares e de estudantes desfilando ao estilo militar e nos esquecemos do que as Forças Armadas fizeram a esse país por vinte e um anos sem terem ainda prestado contas de todas as suas vítimas daquele período” etc....