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ENTREVISTAS COM OS ATLETAS LOGO APÓS SUAS DERROTAS OU DECEPÇÕES NAS OLIMPÍADAS

Ontem publiquei a seguinte nota no Facebook: "A entrevista do tipo 'Como você explica este resultado?' logo depois de uma derrota e decepção do atleta nas Olimpíadas deveria ser proibida pela Convenção de Genebra" E várias pessoas concordaram comigo. Contudo, como esta nota pode dar a entender que considero que a imprensa não tem o direito de perguntar e o atleta não tem o dever de responder - o que seria uma posição bem distante da minha -, resolvi hoje publicar uma nota mais desenvolvida com as razões por trás da declaração de ontem. Faço isso em nome da clareza, mesmo sabendo que desta forma, provavelmente, algumas pessoas que ontem concordaram com a versão mais curta que continha apenas a afirmação da ideia principal talvez hoje não concordem com esta versão mais longa que traz também as minhas razões. De qualquer maneira, acredito que seja uma contribuição para a reflexão sobre a questão. Deixem-me tornar a minha posição mais clara, então. Em primei...

TRANSMISSÃO DAS OLÍMPIADAS PELA REDE RECORD: ENTRE COMEMORAÇÕES, RECLAMAÇÕES E INDIFERENÇAS

Vamos partir de de três fatos incontestáveis: (1) No Brasil, existe um oligopólio da comunicação de TV: Na TV aberta, podemos contar nos dedos das mãos as emissoras que existem, apontar quem são seus donos e quais são seus padrões de programação e de cobertura jornalística. Longe de ser local e pulverizada, a comunicação de TV é predominantemente nacional e concentrada; (2) Dentre estes grandes grupos da TV, a Globo conta com poder econômico e político inigualavelmente maior, sendo a emissora mais assistida em praticamente todos os dias e horários, ditando, com sua programação e cobertura, o padrão com que o público se acostumou a assistir TV no Brasil; e (3) Na última década, o volume de investimento das emissoras concorrentes da Globo têm crescido consideravelmente, ao mesmo tempo em que os antigos orçamentos estratosféricos daquela emissora nos anos 70 e 80 têm dado lugar, nos anos 90 e 2000, a versões mais modestas e supervisadas. É isso que permite a migração de jornalistas...