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Mostrando postagens com o rótulo Gadamer

O "Método" de Hércules: Fenomenológico ou Apofântico?

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(Esta postagem aprofunda um tópico específico da postagem de ontem. Eu disse ontem que o fato de que Dworkin formule um método de interpretação/decisão, o método do juiz Hércules, era um ponto antigadameriano de sua teoria. Após discussão com amigos, especialmente o Ricardo Evandro e o Felippe Davi, vi que a afirmação precisava ser mais desenvolvida. Pois existe um tipo de método, situado no nível puramente fenomenológico-hermenêutico, que é compatível com a hermenêutica filosófica, enquanto existe outro tipo, situado no nível apofântico, que não é. Resta-me, então, tentar provar que o método de Hércules se qualifica como esse segundo tipo de método.) De fato, não basta apontar que em Dworkin existe um "método" para que Dworkin seja qualificado, automaticamente, como antigadameriano neste ponto. É preciso investigar de que método falamos. Se o método de que falamos é um conjunto de regras que dirigem a interpretação em certa direção contingente a fim de que se alcancem pro...

Dworkin e Gadamer: Por que Dworkin não é um filósofo hermenêutico

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(Veja também a postagem a partir da qual esta discussão foi gerada: consulte aqui .) Devemos explicitar os pressupostos com que examinamos um autor e criticá-lo a partir dos pressupostos da tradição a que ele quis se filiar. Tendo em vista esta orientação, alguém poderia ficar com a dúvida, a partir da minha postagem anterior, sobre se as críticas que fiz a Dworkin seriam mesmo pertinentes. Isto porque alguém poderia ver Dworkin como se movendo na tradição hermenêutica, e não na tradição analítica. Para a tradição hermenêutica, de fato, a distinção "forte" entre normativo e descritivo como pertencendo a âmbitos distintos da razão e do discurso não faz sentido (embora eu esteja tendente a dizer que uma distinção "fraca" entre as duas tarefas segue existindo, do contrário não se conseguiria mais distinguir entre interpretação legítima e atribuição arbitrária de um sentido totalmente estranho ao objeto). Ela desaparece porque se lida com uma racionalidade que não é e...

O intérprete e o crítico: duas perspectivas

São duas as inspirações dessa postagem. A primeira é a afirmação de Habermas de que não é possível interpretar sem avaliar, nem avaliar sem interpretar, de modo que hermenêutica e crítica estariam, por assim dizer, irmanadas numa única e mesma tarefa. A segunda é minha recente experiência de leitura de intérpretes contemporâneos da ética de Kant, quando pude perceber que, ali onde os críticos veem equívocos e contradições, os intérpretes veem apenas motivos para atribuir diferentes sentidos às afirmações de Kant. Essa segunda experiência me trouxe a impressão de que, enquanto o crítico está, por assim dizer, à procura do erro, o intérprete está, por sua vez, previamente comprometido com a premissa de que não há erro algum no texto que investiga. Isso colocaria o crítico e o intérprete em lados opostos, não apenas respectivamente como acusador e defensor do texto, mas também respectivamente como aquele que avalia o texto e aquela cuja leitura é avaliada pelo texto. Um exemplo: Kant afir...