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Mostrando postagens com o rótulo Virtude

Vocabulário Filosófico Básico: Virtude

Duas observações preliminares: (1) Esta não é uma postagem sobre as éticas da virtude em geral nem sobre uma delas em especial, e sim sobre o termo virtude e seus sentidos possíveis em ética; (2) Tentarei dar esta explicação sem me referir nem à história da ética nem a autores e teorias específicas, portanto, concentrando-me nos sentidos do termo nas abordagens que fazem uso dele. Agora sim, vamos ao assunto. Virtude é um termo usado em algumas abordagens da ética e que pode ser explicado a partir de dois pontos de partida: (a) A partir de seu conteúdo: Uma virtude consiste num traço de caráter eticamente valorado como positivo. Em éticas que privilegiam certa forma de vida como eticamente superior a todas as demais para o ser humano, o tipo de indivíduo que corporifica esta forma  de vida pode ser descrito em termos de um quadro de características definidoras, as quais são, então, no interior desta abordagem, valoradas como virtudes. Já em éticas que trabalham com uma pluralid...

Debatendo liberdade, autonomia e paternalismo

Essa postagem é um desenvolvimento da anterior. Dedica-se ao tema da liberdade, para primeiro expor o quadro teórico-conceitual dentro do qual se pensa a liberdade na democracia e depois responder, dentro desse quadro, às objeções e perguntas levantadas nos comentários à postagem "Democracia e Paternalismo". No pensamento moderno, o mundo é pensado como um conjunto de fenômenos encadeados uns aos outros segundo nexos de causalidade. Cada fenômeno que ocorre é efeito de uma causa anterior e causa de um efeito posterior. Quando uma bola de bilhar se move em direção a outra, esse fenômeno é efeito, por exemplo, de o jogador haver batido na bola com o taco e é causa, por exemplo, de a segunda bola mover-se em direção à caçapa do canto. Esse encadeamento causal dá aos fenômenos uma unidade inteligível e permite que os chamemos, em seu conjunto, de "mundo". Contudo, se os atos dos homens são também fenômenos, eles não estão, em princípio, isentos do encadeamento causa...

Ética Aristotélica: O Básico do Básico da "Ética a Nicômaco"

Toda atividade visa a algum fim, que é visto como um bem pelo agente. Contudo, as atividades têm fins que servem de meios para os fins de outras atividades, o que implica que os bens dessas são maiores e mais excelentes. Deve haver, assim, uma atividade tal que o bem a que ela visa não serve de meio para nenhum outro e serve de fim para todos os outros. Essa atividade é a política, porque o bem da pólis é o bem mais excelente de todos. Resta determinar apenas no que consiste esse bem mais excelente, que é finalidade última de todos os demais. Esse bem é a felicidade (eudaimonia). Afinal, ela é boa em si mesma, não é buscada em vista de outra coisa e todas as outras coisas são buscadas em vista dela. Tal felicidade, contudo, não consiste num sentimento subjetivo, mas numa situação objetiva em que se pode dizer que o tipo de vida que certa pessoa vive é o melhor dentre todos os tipos de vida para o ser humano, ou seja, é uma vida plenamente realizada ou a vida boa (eu zên). Por certo, a ...