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Mostrando postagens com o rótulo Religião

Sobre o Futuro da Teoria Crítica - Entrevista com Thomas McCarthy

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O excerto abaixo foi extraído de uma entrevista concedida por Thomas McCarthy em 1996 e publicada em 2001 como anexo final na coletânea "Pluralism and the pragmatic turn: The transformation of critical theory", organizada por William Rehg e James Bohman. Trata-se da última seção da entrevista, que traduzi para o português e agora disponibilizo aqui no Filósofo Grego. As perguntas estão marcadas em itálico. Gostaríamos agora de fazer algumas perguntas relativas a certos problemas e prospectos para o futuro desenvolvimento da teoria crítica. Parece haver uma percepção comum, pelo menos aqui na Europa, de que a teoria crítica de Habermas se tornou não muito mais do que uma versão do constitucionalismo liberal. Como a teoria crítica hoje se diferencia do liberalismo? Acho que se deve ler a obra de Habermas nas últimas duas décadas como um todo em desenvolvimento, em vez de ler sua obra mais recente como uma mudança de posição. Isto quer dizer que a versão do constituci...

Tirar "Deus seja louvado" das notas de Real: Minha argumentação, um esclarecimento histórico e um convite à reflexão para os cristãos

RETIRAR a referência a Deus das notas de real é uma reivindicação correta por três motivos, os quais deveriam ser óbvios, mas infelizmente não são: 1. Argumento da neutralidade: Num Estado laico, não pode haver referências em seus símbolos nacionais que tomem partido por uma crença religiosa em detrimento das outras. A moeda é um destes símbolos nacionais. Logo, na moeda não pode haver referência a um Deus para ser louvado. 2. Argumento do pluralismo: Num Estado laico, se se obriga os partidários de todas as crenças religiosas a usarem a mesma moeda, a contrapartida desta obrigação é que esta moeda não pode favorecer a crença de alguns de seus usuários em detrimento de outros. Nem todos acreditam num Deus para ser louvado, logo, não pode haver referência a ele. 3. Argumento da liberdade religiosa: Uma crença religiosa pode reivindicar uso de espaços ou objetos públicos se for para dar realização a elementos relevantes de seu culto e não produzir prejuízos graves aos partidários ...

A Primeira Carta Sobre a Tolerância (1689), de John Locke

John Locke (1632-1704) é um dos mais importantes filósofos do Séc. XVII e um dos mais representativos defensores do liberalismo clássico. Seu texto político mais famoso é o Segundo Tratado sobre o Governo (1689), em que propõe, contra Filmer e se distinguindo de Hobbes, sua versão do contrato social, com manutenção dos direitos de liberdade, limitação do poder do Estado, divisão de poderes e direito de revolução. Contudo, ao lado deste texto clássico, figura outro, publicado no mesmo ano de 1689, mas anonimamente: a Primeira Carta Sobre a Tolerância . Locke o havia concebido durante seu exílio na Holanda e fez com que entrasse e circulasse na Inglaterra por meio de uma ampla rede de colaboradores. Neste texto, Locke faz uma poderosa defesa da tolerância religiosa, com argumentos que de então por diante se tornariam canônicos e influentes. Se, por um lado, comparada com nossa concepção atual, totalmente secular e muito mais ampla, de tolerância, o tipo de tolerância advogado pela Prim...

Apenas uma Hipótese: Um Valor Heurístico Adicional da História das Ideias Religiosas para os Estudos Não Religiosos

Eis as etapas de minha hipótese: 1) Em todas as épocas, os homens, por força de suas necessidades, desejos, aspirações e valores, não podem deixar de formular algumas idealizações sobre como o mundo e os homens deveriam ser; 2) Também em todas as épocas, os homens, em seu enfrentamento com o mundo objetivo, acumulam uma série de desapontamentos e frustrações com o modo como o mundo e os homens realmente são, em contraste com aquelas idealizações; 3) As ideias religiosas, principalmente aquelas ligadas a Deus, aos Anjos, aos Santos, ao Juízo Final e ao Paraíso, exigem dos homens uma capacidade de conceber a extrema bondade ou mesmo a perfeição, coisa que eles só podem fazer a partir daquelas idealizações e em contraste com as frustrações do mundo objetivo; e, finalmente, 4) Sendo assim, o modo como os homens de cada época conceberam aquelas ideias pode nos fornecer boas indicações e chaves de compreensão das idealizações que a mesma época não conseguia ver realizadas no...

Uso de Argumentos Religiosos em Discursos Jurídicos de Aplicação à luz da Obra Recente de Jürgen Habermas

            O texto abaixo é a versão escrita da comunicação que apresentei na última quinta-feira, dia 7 de outubro de 2010, na Sessão Habermas do XIV Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof). É possível que eu venha a publicar uma versão estendida desse texto num volume da Revista Ethic@ especialmente dedicado à publicação de textos comunicados durante esta Anpof. Talvez seja interessante fazer aqui algumas ressalvas que fiz também na minha apresentação na Anpof: Sou ateu, não tenho nenhum interesse particular na aceitação de argumentos religiosos, não partilho do mesmo otimismo de Habermas quanto ao estoque de intuições morais das religiões e, nos dois casos concretos que cito abaixo, teria decidido em contrário aos argumentos religiosos que foram usados pelas partes. Digo isso para que não se pense que estou aqui fazendo algum malabarismo teórico ou hermenêutico para dar entrada no espaço público jud...

Lost: The End

Com diversos e massivos spoilers . Débora e Fernanda: Não leiam até terem visto o fim da série! Escrevi um comentário no Blog Arbítrio do Yúdice , mas gostaria de torná-lo disponível para todos aqui no meu Blog. Dedico essa postagem também ao Davi Garcia e à Juliana Ramanzini, que mantêm o Blog Dude, we are lost , que é, na minha opinião, o que contém os comentários mais bem escritos e penetrantes dos episódios de Lost e que, ao longo desses seis anos, me ajudou bastante a ganhar perspectiva sobre o quadro e o sentido geral da maior série de todos os tempos. Reproduzo abaixo o que escrevi ao Yúdice. Caro Yúdice, antendendo aos seus apelos, venho me manifestar a respeito de Lost . Vou dividir esse comentário em duas partes. Na primeira, tentarei relativizar sua afirmação, feita na postagem Lost: O Fim , da última sexta, 21 de maio de 2010, de que os rumos tomados pelas últimas temporadas do seriado haviam sido decepcionantes em vista das expectativas criadas nas primeiras temporad...