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Mostrando postagens com o rótulo Filosofia

Cinco Tentações de Sala de Aula no Ensino do Direito (A Partir do Ponto de Vista de um Filósofo)

Introdução O texto abaixo assinala o estado atual das minhas reflexões sobre como o ensino jurídico, especialmente o ensino jurídico de disciplinas dogmáticas, poderia ser alterado e qualificado cognitivamente pela crítica da filosofia. Escolhi a forma mais direta de cinco tentações, porque ela é didática e útil para fins práticos do trabalho em sala de aula, mas o assunto, sem dúvida, mereceria um desenvolvimento mais cuidadoso à luz de teorias da educação, do aprendizado e do conhecimento, especialmente do jurídico. Mas creio que o formato abaixo é o mais adequado para o tipo de postagens que costumo publicar e divulgar por meios não acadêmicos e informais. Espero que sejam reflexões que tenham valor e ressonância para a experiência em sala de aula de meus colegas professores de direito, mas apreciaria as perguntas, comentários, críticas e sugestões que queiram aduzir a este texto. Antes, porém, uma advertência: O texto supõe um professor bem preparado e bem intencionado. É ...

Argumento de Autoridade (Argumentum ad Verecundiam ou Argumentum Magister Dixit): Análise Argumentativa e Ajuizamento Crítico

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Resumo: A postagem tem a seguinte estrutura: Primeiro, defino o argumento de autoridade (1); em seguida, mostro por que ele carece de validade argumentativa (2); depois, falo da tentativa da Hermenêutica Filosófica de reabilitar a dignidade do argumento de autoridade (3); antes de finalizar, distingo entre uso retórico, uso pragmático e uso cognitivo do argumento de autoridade (4); e, concluindo, expresso meu juízo crítico sobre o uso do argumento de autoridade (5). 1. Argumentum ad verecundiam (trad. argumento ao respeito), argumentum magister dixit (trad. argumento "o mestre disse") ou simplesmente argumento de autoridade é todo argumento na forma "Se A disse que p, então p". A, nesse caso, é uma pessoa, teoria, disciplina ou tradição a que se atribui autoridade inquestionável ou venerável e de que se diz que afirma que p; p, por sua vez, é uma proposição cuja verdade está sob disputa. Quem usa o argumento de autoridade supõe colocar ponto final à disputa em ...

Uma Teoria da Má Compreensão (A Theory of Misunderstanding)

No terreno das teorias filosóficas, a má compreensão sempre me intrigou. Vou explicar em que esse fenômeno consiste. Um filósofo F defende uma teoria T. De início, T é nova e precisa se confrontar com um ambiente teórico de partida, que pode lhe ser favorável ou desfavorável. Se for favorável, T provavelmente será acolhida e, se for desfavorável, criticada. Até aí tudo normal. Ocorre que, quer seja acolhida, quer seja criticada, aquilo que é acolhido ou criticado nunca é exatamente T, mas sim certa versão V do que T realmente disse. V não é simplesmente uma interpretação possível do que T disse, mas é uma versão simplificada de T, que normalmente compreende mal suas teses, não atenta bem para suas premissas e não capta corretamente as consequências que se pode extrair de T. V é uma espécie de adaptação de T para o consumo em larga escala. E não é que V seja obra do senso comum popular, ela é obra, isso sim, do senso comum acadêmico. O grau em que V se distancia de T pode variar muito d...

Aforismo 2: Uma Abordagem Histórica

Até agora abordei o meu Aforismo 2 como um argumento conceitual: Toda outra forma de discurso que não a narração também possui, ainda que neutralizados, os elementos e as partes da narrativa. Gostaria agora de abordá-lo como um argumento histórico. No nascimento da cultura ocidental, na Grécia, a narrativa precedeu e foi mãe da poesia e do argumento. Primeiro veio o mito, depois veio o épico. O mito era a narrativa dos inícios, de eventos apresentados como singulares, mas que tinham significação universal, porque tinham estruturado o modo como as coisas são no mundo. Pode-se dizer que o mito é a primeira modalidade de discurso explicativo. O universal cotidiano (por exemplo, o eco que se ouve nas cavernas; o curso das estações do ano) se explica à luz de um singular extracotidiano (por exemplo, Eco falando com Narciso; Perséfone, suas visitas a Deméter e sua volta ao Hades). Já o épico não é a narrativa do singular que se torna eterno no cotidiano (como o mito), mas sim do singular que...

Hobbes X Locke

Neste post, confrontaremos as teorias de HOBBES e LOCKE acerca das questões políticas. Indicamos a seguir os pontos que, a nosso ver, merecem maior atenção e destaque. 1. HOBBES e LOCKE adotam o mesmo esquema explicativo do nascimento e da natureza da sociedade política: estado de natureza, contrato de sociedade e estado civil. Uma certa forma de organização política se vê, assim, justificada pela suposição de que homens num estado de natureza a teriam escolhido para solucionar problemas que os perturbavam. 2. HOBBES e LOCKE pensam que no estado de natureza faltam leis civis, mas vigem leis naturais, de modo que as características de tal estado derivam da própria natureza humana. HOBBES concebe essa natureza como naturalmente anti-social e LOCKE como naturalmente social. 3. HOBBES e LOCKE pensam que a lei natural é um imperativo da razão, mas discordam quanto ao seu conteúdo. HOBBES diz que se trata de preservar a vida, fazendo a paz sempre que possível e a guerra sempre que ne...